
A epilepsia é uma doença física que causa alterações súbitas, breves e recorrentes na actividade eléctrica normal do cérebro, de modo que, durante um episódio de epilepsia, denominado crise epiléptica, as células do cérebro “disparam” de modo incontrolável a um ritmo que pode chegar a ser quatro vezes maior que o normal, levando, assim, a alterações do movimento, pensamentos, sensações e comportamento da pessoa.
Por que acontece a epilepsia?
Sabe-se que são diversas as condições que podem afectar o cérebro e desencadear epilepsia. Assim temos, por exemplo:
- lesões cerebrais, quer ocorram antes ou depois do nascimento;
- tumores cerebrais;
- infecções (meningites e encefalites);
- doenças genéticas;
- anomalias estruturais dos vasos sanguíneos cerebrais;
- intoxicação por chumbo.
No entanto, na maioria dos casos (cerca de 70%) a causa específica não é determinada.
Como se manifesta a epilepsia?
A doença pode apresentar-se de diferentes formas, consoante a extensão do cérebro que é atingida e, onde se localiza a área afectada:
1- Crise generalizada primária: envolve simultaneamente todo o cérebro
.Crise tónico-clónica generalizada (“Grande Mal“)
Neste tipo de crise o paciente perde a consciência, cai e pára temporariamente de respirar, podendo inclusivamente, perder o controlo dos esfíncteres anal e vesical. São os clássicos “ataques” que já toda a gente viu e, que geralmente causa grande alarme entre os circunstantes. O nome desta forma advém do facto de numa primeira fase todos os músculos do corpo apresentarem uma contracção ininterrupta (fase tónica), logo seguida de uma série de contracções rítmicas curtas (fase clónica). O episódio dura, geralmente, mais de um minuto e é seguido de um período de relaxamento e sonolência e, por vezes, de uma dor de cabeça;
.Pequeno Mal
Esta forma de epilepsia caracteriza-se por uma perda de consciência tão breve que o paciente nem chega a mudar de posição. Nestes poucos segundos o paciente pode apresentar um olhar fixo, um rápido pestanejar, movimentos de mastigação ou um movimento rítmico breve de uma extremidade;
2. Crise parcial (focal): envolve apenas uma área do cérebro (foco)
.Crise parcial simples
Neste caso o paciente mantém-se acordado e consciente, sendo que os sintomas são variáveis em função da área cerebral afectada. Assim, o paciente pode apresentar movimentos bruscos e súbitos (“sacudidelas”) de uma parte do corpo ou, experienciar odores estranhos ou uma distorção do ambiente que o rodeia, náuseas ou sintomas emocionais, como um medo ou ira inexplicáveis;
.Crise parcial complexa
Neste caso o paciente não responde aos estímulos. Pode apresentar um olhar fixo, movimentos de mastigação ou actividade aleatória. Após a crise ele não recorda nada do episódio.
.Coma epiléptico
Ocorre quando um paciente sofre uma série de crises generalizadas, umas após as outras, sem chegar a recuperar a consciência entre elas. É uma situação grave, que põe em risco a vida e que necessita de tratamento urgente.
O que fazer?
- Permaneça calmo e vá controlando a duração da crise, olhando periodicamente para o relógio
- Coloque uma toalha ou um casaco dobrado debaixo da cabeça da pessoa
- Quando as convulsões pararem, coloque a pessoa na posição lateral de segurança
- Permaneça com a pessoa até que recupere os sentidos e respire normalmente
- Se a crise dura mais do que 5 minutos, ligue 112
O que não fazer?
NÃO introduza qualquer objeto na boca nem tente puxar a língua (a teoria de que as pessoas podem “enrolar a língua” e asfixiar não tem fundamento)
NÃO tentar forçar a pessoa a ficar quieta
NÃO lhe dê de beber
A epilepsia é uma doença que dura toda a vida mas cuja frequência das crises pode ser, muitas vezes, controlada pela medicação. Em 70 a 80% dos pacientes com crises recorrentes a medicação consegue controlar a doença, sendo que, nos restantes ocorre a denominada “epilepsia intratável medicamente”, que no entanto, pode ser tratada através do recurso à cirurgia, com taxas de sucesso apreciáveis.